Capítulo 3

Santificado seja o teu nome

Capítulo 3

Santificado seja o teu nome

Quando o nome de Deus é usado e abusado

Mateus 7:21 - Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.

Se a oração começa nos retirando do singular, ao dizer "Pai nosso", e nos oferece um horizonte maior, ao afirmar "que estás nos céus", ela agora toca em um ponto delicado e decisivo: o nome de Deus. "Santificado seja o teu nome" não é um enfeite devocional, nem um elogio piedoso, tampouco uma frase de abertura para tornar a oração mais bonita. É um pedido com peso, quase um tremor interior, porque envolve aquilo que fazemos de Deus, que dizemos em seu nome e que autorizamos quando o pronunciamos. Há um equívoco comum que precisa ser desfeito com cuidado. Santificar o nome de Deus não significa torná-lo mais santo, como se a santidade divina dependesse da nossa oração. Deus não precisa ser melhorado por nós. Quando Jesus nos ensina a orar assim, ele nos convida a reconhecer e honrar, na vida concreta, o caráter de Deus. É como se disséssemos que o teu nome seja tratado como ele merece, que não seja deformado por nossas práticas nem reduzido às nossas conveniências. Nas Escrituras, o nome não é apenas um rótulo ou um detalhe formal. Ele carrega identidade, revela caráter e aponta presença. Falar do nome de Deus é falar de quem Deus é e de como Ele se manifesta no mundo, por isso, santificar o nome de Deus não é, em primeiro lugar, um ato de linguagem, mas um ato de coerência. É pedir que a nossa vida não profane aquilo que nossos lábios afirmam. E aqui entramos em uma ferida antiga e ainda aberta. O nome de Deus é, muitas vezes, usado e abusado. Usa-se o nome de Deus para legitimar dureza de coração, justificar injustiças, encobrir interesses, vender promessas, manipular consciências, vencer disputas, silenciar o outro, impor verdades particulares como se fossem verdades sagradas, como se Deus fosse uma assinatura que carimba nossas opiniões e transforma nossa vontade em revelação. Quando isso acontece, não se trata apenas de uma falha religiosa; trata-se de uma tragédia espiritual. O abuso do nome de Deus não fere apenas a imagem de Deus no mundo; fere pessoas concretas, gente real, famílias, pobres, mulheres, crianças, trabalhadores, indivíduos que já carregam peso demais e acabam recebendo, além de tudo, um discurso "em nome de Deus" que os culpabiliza, silencia, oprime e descarta. Santificar o nome de Deus é viver de tal modo que as pessoas possam reconhecer, em nossas atitudes, um reflexo do que proclamamos. Não se trata de perfeição, mas de direção. Não se trata de performance religiosa, mas de integridade. Santifica o nome de Deus quem aprende a dizer a verdade sem humilhar; quem exerce autoridade sem esmagar; quem serve sem se promover; quem reparte sem ostentar.